Dear Raíssa, Cris e Água Viva,
 

Sonhei que estávamos visitando um barco juntos, ele era espaçoso e mais parecia uma casa onde poderia morar uma grande família, do que um barco em si. Eu percorria os ambientes com uma canetinha na mão e no final da visita, enquanto a corretora falava qualquer coisa, eu fazia um desenho com uma caneta vermelha no fogão. Olhava pro Água orgulhosa, já que ele era quem me trazia tanta inspiração para desenhar, mas ao mesmo tempo, desesperada, pois eu não deveria ter desenhado em um barco que não iríamos comprar. No instante seguinte estávamos os quatro, esfregando o fogão do barco-casa com uma flanela encharcada de álcool, às escondidas. Quanto mais eu esfregava, mais a mancha espalhava pelo alumínio do fogão, que no final ficou com um tom vermelho desvanecido. 

 

Acordei morrendo de saudade de vocês, dos nossos dias nos rios da Bahia, das ilhas desertas, das aquarelas sendo pintadas às escuras, dos pães de travessia e de ver o macrame crescendo ao longo dos dias deslizando pelos dedinhos mágicos da Captain Arraia. Das refeições divinas que se materializam pelas mãos do Cris num piscar de olhos. Eu virava às costas da cozinha e voilá! lá estava o banquete posto na bandeja de madeira do cockpit. Como era bom partilhar com vocês todas as refeições, saboreando novas combinações que me faziam pensar que a Arte está em tudo, nos sabores, nos temperos, nas misturas, na ousadia. 

 

Saudades de Água-Viva-Cósmica, essa pessoa que é Arte e Amor dos pés à cabeça, que poderia ter nascido com pincéis e canetas no lugar dos dedos. Que acorda e dorme tocando violão fazendo uma trilha sonora ímpar das manhãs frias e das noites estreladas ou chuvosas, com ou sem lua. Saudades de ver vocês fazendo tantas coisas simultaneamente: do Cris que consegue com o mesmo facão arrancar as ostras do mangue com gestos assertivos e também abri-las, com delicadeza, só com a pontinha da faca. Da Raissinha-born-to-be-wild, com sua beleza deslumbrante e sem esforço, timoneando o Mintaka por rios não sondados, sem desviar nenhum grau do rumo seguro. De ver um Viking costurando corações recortados à mão na sua bermuda do dia-a-dia (too late, Fabinho) usando uma máquina de costura. E lendo um livro bem despojado deitadinho numa colcha listrada toda coloridinha, no dia da minha chegada: The Psycopath Test.

 

Saudades de Água-Viva-Cósmica, essa pessoa que é Arte e Amor dos pés à cabeça, que poderia ter nascido com pincéis e canetas no lugar dos dedos. Que acorda e dorme tocando violão fazendo uma trilha sonora ímpar das manhãs frias e das noites estreladas ou chuvosas, com ou sem lua. Saudades de ver vocês fazendo tantas coisas simultaneamente: do Cris que consegue com o mesmo facão arrancar as ostras do mangue com gestos assertivos e também abri-las, com delicadeza, só com a pontinha da faca. Da Raissinha-born-to-be-wild, com sua beleza deslumbrante e sem esforço, timoneando o Mintaka por rios não sondados, sem desviar nenhum grau do rumo seguro. De ver um Viking costurando corações recortados à mão na sua bermuda do dia-a-dia (too late, Fabinho) usando uma máquina de costura. E lendo um livro bem despojado deitadinho numa colcha listrada toda coloridinha, no dia da minha chegada: The Psycopath Test.

 

Aprendi muito com vocês. Me inspirei, me libertei, me senti viva-potente-valente & capaz de ser e fazer o que eu quiser. De arriscar. De tentar. De sonhar.

Vocês são inspiração pura, mágica real, arte flutuante, vento de través, todos os dias da vida em happy end.
Minha vida pós-trinta se divide entre antes e depois de vocês.

Espero que esse tesouro que carregam e que com tanta generosidade compartilham, possa ser encontrado por mais artistas, mais fazedores, mais sonhadores, pela costa toda do Brasil, pelos sete mares, pelos seis continentes e quem sabe até por outras galáxias (com tanto que eles deixem vocês por aqui). E que assim, a família dos Piratas do Amor se expanda, se fortaleça e siga sua missão, levando Arte, amor e esperança para o mundo, nessa co-criação linda, de uma nova realidade.