A câmera fotográfica é a ferramenta que uso para me relacionar com o mundo, com os lugares, com as pessoas. Tenho necessidade de registrar as coisas que me despertam atenção e que me geram emoções. A fotografia é, também, a maneira que encontrei de registrar o tempo, as mudanças do meu próprio olhar e da trajetória nada retilínea da minha vida.

 

Esse é um catálogo longo e diverso. Ele começa em uma viagem e termina em uma estação de trem. Selecionei fotos de mais de uma década, das quais não me canso. Registros poéticos de lugares, trabalhos e experiências que me marcaram. De viagens de trem à mares revoltos, de florestas inóspitas à aldeias indígenas, de troncos milenares à objetos deixados para trás, todas essas imagens são um exercício do meu olhar em busca de beleza, essência e também, daquilo que é estranho.

 

Espero que façam uma boa viagem

Neblina e Memória

Há alguns anos visitei a Romênia, movida por curiosidade, identificação e admiração pela cultura cigana. Inspirada pelos meus anos de circo, pelos filmes do Kusturica, suas músicas que me arrepiavam até a alma e pela fotografia do Josef Koudelka, arrastei minha mãe para uma viagem de trem de quase 24 horas entre Budapest e Bucharest.

Essas fotos foram tiradas ao longo do caminho. O verde da vegetação, os lagos congelados e a neblina me lembravam filmes do Tarkovsky. Não fiz retrato de nenhum cigano, mas, fotografei paisagens bem diferentes das que estava
acostumada. Hoje, quando olho para as imagens, o que mais me lembro é da sensação do trem, da neblina misteriosa, da vegetação passando e desse verde que não me sai da memória.

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Rio Ganges

Há milhares de anos, o Rio Ganges é visto, dentro da Religião Hindu, como uma divindade. Os hindus veneram o rio como sendo a deusa Ganga e acredita-se, que ao banhar-se em suas águas, uma pessoa purifica-se de seus karmas e pode curar-se de doenças graves.


Para eles, as águas representam a pureza e vida, fortalecendo a espiritualidade em cada indivíduo. O líquido sagrado percorre as terras indianas, do Himalaia à Baía de Bengala, fluindo do norte para o sudeste da Ásia. Essas imagens foram feitas na cidade de Varanasi, onde pessoas de toda Índia vão para levar parentes doentes, banhar-se em suas águas em busca de cura, conexão espiritual, e para fazer oferendas de flores e lamparinas à Mãe Ganga, criadora

da vida.

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Yawanawás

Em 2018 e 2019 estive em duas aldeias do povo Yawanawá, no Acre. No primeiro ano, durante o festival do Mariri, registrei as brincadeiras tradicionais, as músicas, danças, cerimônias xamânicas e a vida em festa na aldeia. O Mariri simboliza, entre várias coisas, o renascimento cultural e espiritual desse povo que, durante sete dias, com muita alegria, celebra a vida e os espíritos da floresta, todos os anos. Desde o começo da pandemia, as aldeias, que se sustentam principalmente do turismo espiritual e dos artesanatos, ficaram sem suas fontes de renda.

Essas fotos são uma maneira de dar visibilidade aos guardiões da floresta Amazônica e também ajudá-los financeiramente nesse momento pelo qual o mundo passa e que tanto afeta as populações mais vulneráveis.

Sagrada para os maias, no México, e para diversos povos indígenas brasileiros, dentre eles os Yawanawás, a samaúma é considerada a árvore rainha da Amazônia. Com alturas que variam de 60 a 70 metros (mas que podem chegar a 90), a “mãe-das-árvores” é conhecida pela imensidão do tronco — que pode ter cerca de três metros de diâmetro — e pela capacidade de retirar água das profundezas do solo para abastecer não apenas a si mesma, mas também para irrigar outras espécies da região.


É em volta da samaúma que são feitas quase todas as brincadeiras e cerimônias durante o Festival do Mariri.

40% DO VALOR DE CADA FOTO (sem moldura) é depositado pelo cliente diretamente na conta de uma família indígena.

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